Lira Marques

Maria Lira Marques Borges, mais conhecida como Lira Marques, é uma das responsáveis pela projeção da arte do Vale do Jequitinhonha em Minas Gerais para o mundo. Ela nasceu em 1945 na cidade de Araçuaí, região do médio Jequitinhonha, localizada a 678 km da capital Belo Horizonte. Lira começou a trabalhar muito cedo, seu pai era sapateiro e sua mãe lavadeira. Da mãe herdou a profissão; na juventude lavou muita roupa das famílias de Araçuaí juntamente com sua mãe. Da mãe também herdou a alma de artista. “... Minha mãe era uma artista. Ensinava a gente a declamar com gestos: ‘ó minha filha, a gente tem que fazer isso grande.’ Ela tinha muitos dons. Tinha uma voz linda, sabia alguns tons no violão, fazia muitos trabalhos manuais, ensinava a gente a se defender se uma pessoa pegasse a gente. Não conseguiu estudar, mas era uma mulher muito inteligente. Até hoje, eu fico encabulada: como uma pessoa criada sem mãe, lavadeira de roupa, tinha tantos dons artísticos?”, conta Lira. Foi observando sua mãe a mexer com o barro que Lira começou a ser a artista que é hoje. Dona Odília, como era chamada, fazia cerâmica ocasionalmente na época do natal, sobretudo presépios; fazia sucesso entre os moradores. Nos intervalos entre uma trouxa de roupa e outra, Lira também trabalhava com o barro. Com o tempo seu trabalho foi ganhando espaço e notoriedade entre os demais artistas da região, ao ponto de Lira conseguir fazer dele o seu oficio e dele tirar o seu sustento. “... Eu amo aquilo que eu faço. Isso é o que me dá vontade de viver...”

Lira Marques. Reprodução fotográfica autoria desconhecida.

O início, como na maioria das vezes, foi difícil. Foi uma ceramista da região, conhecida de Lira, Dona Joana Poteira, que a orientou nas técnicas da cerâmica. Familiares lhe emprestavam livros de história e filosofia, e neles Lira se inspirava para fazer bustos de mulheres e de filósofos, sem intenção de vender. Porém, sua origem africana e indígena falou mais alto. Ainda com o auxílio de livros, Lira passou a pesquisar referencias africanas e indígenas para compor o seu trabalho. Não demorou muito para esses bustos desparecerem e no lugar surgirem trabalhos relacionados com a vida e o sofrimento do povo do Vale do Jequitinhonha. “... Nosso povo é sofrido. Foi vendo esse sofrimento que fiz minha primeira peça (Pessoas brotando da terra que dá sustento ao Cruzeiro). Porque foi isso que vi, o povo pedindo, carregando água e pedras lá para o alto. Uma penitência...”

Lira Marque em sua casa, trabalhando. FOTO: Lori Figueiró

A grande virada do trabalho de Lira se deu na década de 1970 com a chegada do Projeto Rondon (Campus Avançado da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais) e da Codevale (Comissão do Desenvolvimento Vale do Jequitinhonha). Os estudantes de ciências sociais e agronomia, vindos através do Projeto Rondon, gostaram do trabalho de Lira e levaram para feiras de artesanato em Belo Horizonte. A partir daí o trabalho de Lira foi sendo conhecido além das fronteiras do Vale do Jequitinhonha. Foi também na década de 1970 que lira conhece Frei Chico (Francisco van der Poel, frei franciscano, pesquisador da cultura e religiosidade popular brasileira). Com ele ajudou a fundar o Coral Trovadores do Vale e se tornou também pesquisadora. O esforço dos dois resultou em um amplo trabalho de pesquisa sobre a cultura do Vale. “... Nós gravamos 250 fitas com cantigas de roda, cantigas de ninar, cantos de pedir esmola, cantos de beira-mar, cantos sobre a educação da criança. E não ficou só nesses cantos, mas também sobre a agricultura, como plantar, quais os tipos de milho que existem, como é que planta a mandioca, quantos tipos de mandioca têm, como é que faz uma casa, tudo sobre os remédios, as rezas, tudo, tudo o que você imaginar”, diz Lira.

Lira Marques e Frei Chico. FOTO: autoria desconhecida


Com o passar do tempo, Lira começou seu trabalho com máscaras de cerâmica. Hoje em dia, além de se dedicar a essas máscaras, Lira faz "pinturas de terra", como ela mesmo chama, que são obras de pintura de barro sobre papel, tecido ou pedras, utilizando as cores da terra para produzir suas peças. Seus trabalhos já foram mostrados em muitas exposições organizadas por galerias e instituições diversas, tanto no Brasil como no exterior.

Lira Marques, máscara, cerâmica. FOTO: autoria desconhecida.

Lira Marquesmáscara, cerâmica. FOTO: autoria desconhecida.

Lira Marquesmáscara, cerâmica. FOTO: autoria desconhecida.

Lira Marquesmáscaras, cerâmica. FOTO: autoria desconhecida.

Lira Marques fazendo uma de suas "pinturas de terra". FOTO; Lori Figueiró

Lira Marquestítulo desconhecido, pintura com barro. FOTO: autoria desconhecida.

Lira Marquestítulo desconhecido, pintura com barro. FOTO: autoria desconhecida.

Lira Marquestítulo desconhecido, pintura com barro. FOTO: autoria desconhecida.

Lira Marquestítulo desconhecido, pintura com barro. FOTO: autoria desconhecida.

Lira Marquestítulo desconhecido, pintura com barro. FOTO: autoria desconhecida.

Lira Marquestítulo desconhecido, pintura com barro. FOTO: autoria desconhecida.

Lira Marques moldando uma de suas peças. FOTO: Lori Figueiró

Santidio Pereira

Santidio Pereira é um jovem e destacado artista nascido em 23 de outubro de 1996 na localidade de Curral Comprido no Piauí. Ainda muito criança, aos 8 anos de idade, deixou o Piauí para morar com sua mãe, Maria José de Sá Pereira, na Vila Leopoldina em São Paulo-SP. Desde muito pequeno Santidio gostava de desenhar e pintar. Chegando em São Paulo, sua mãe o matriculou no Instituto Acaia, uma ONG que desenvolve trabalhos socioeducativos com pessoas das comunidades da região do CEAGESP em São Paulo. Foi no Instituto Acaia que Santidio teve o primeiro contato com a arte; a ‘arte de verdade’, como ele diz. Nos primeiros dois anos de Instituto Acaia, Santidio realizou apenas trabalhos de marcenaria; aprendia a fazer carrocinhas, brinquedos, carros de boi, etc. Com o passar dos anos ainda aprendeu um pouco de cerâmica, pintura e animação. Porém, foi a xilogravura que o arrebatou de verdade. No ultimo ano no Instituto, decidiu dedicar-se integralmente à xilogravura; foi sob a orientação do xilogravador Fabrício Lopez que Santidio começou a imprimir seus primeiros trabalhos. Desde então, nunca mais parou.

Santidio Pereira. FOTO: autoria desconhecida

O artista revela que não acredita em inspiração; que só conhece inspiração de nome. O trabalho acontece quando ele está bem consigo mesmo; quando dorme bem, acorda bem e come bem. O que ele gosta mesmo é de retratar imagens que o deixam feliz; se isso é inspiração, ele não. “... Fazer coisas do Nordeste, que me deixam feliz, que remetem a minha infância [...] são essas imagens que eu faço em xilogravura [...] eu não vou fazer pros outros, eu vou fazer pra mim mesmo, se os outros gostarem vai ser consequência, mas eu quero ficar feliz com o que eu faço...”.

Santidio Pereira, sem titulo, xilogravura.

Santidio Pereirasem titulo, xilogravura.

Santidio Pereirasem titulo, xilogravura.

Em 2016 Santidio fez uma exposição individual na prestigiada Galeria Estação em São Paulo, sob a curadoria Rodrigo Naves. Também em 2016, esteve entre os dez finalistas do 5º Prêmio Energias na Arte, expondo seu trabalho no Instituto Tomie Ohtake em São Paulo, SP.

Santidio Pereirasem titulo, xilogravura.

Santidio Pereirasem titulo, xilogravura.

Santidio Pereirasem titulo, xilogravura.


Contato com Santidio: www.facebook.com/san.sousa.9
As fotos das obras foram copiadas do site: 
https://santidiopereira.wordpress.com/author/santidio/

Santidio Pereirasem titulo, xilogravura.

Santidio Pereirasem titulo, xilogravura.

Santidio Pereirasem titulo, xilogravura.

Santidio Pereirasem titulo, xilogravura.

Santidio Pereirasem titulo, xilogravura.

Santidio Pereirasem titulo, xilogravura.

Santidio Pereirasem titulo, xilogravura.

Santidio Pereirasem titulo, xilogravura.

Santidio Pereirasem titulo, xilogravura.

Santidio Pereirasem titulo, xilogravura.

Mestre Cunha

José Francisco Cunha, mais conhecido como Mestre Cunha, nasceu em Ipojuca-PE em 1951. A história deste artista se confunde com a de muitos outros artistas populares do Brasil. Como ele mesmo conta, começou a fazer arte por necessidade, para ganhar dinheiro. Antes de se tornar o artista reconhecido que é hoje, foi cortador de cana, peão, camelô, ajudante de pedreiro, operador de ponte rolante, dentre outras atividades. Hoje Mestre Cunha é considerado um dos artistas populares mais originais e inventivos do Brasil. Chamado por muitos como o “artista dos sonhos”, Mestre Cunha extrai do seu imaginário lúdico seres fantásticos que ganham vida na forma de esculturas de madeira com cores fortes e vibrantes.

Mestre Cunha. Reprodução fotográfica autoria desconhecida.

Era final da década de 1990, quando José Francisco Cunha ficou desempregado. Era um período de crise econômica e escassez de emprego e para sobreviver José Francisco começou a fazer pequenas miniaturas com cenas nordestinas para vender no terminal rodoviário de Recife. Foi um começo muito difícil, mas não demorou muito para seu trabalho evoluir destas miniaturas sertanejas e se tornar o que é hoje. “.... Quando eu quis fazer obra, eu comecei a fazer um negócio copiado. Mas eu me achava vazio, aquilo não era meu, eu copiando. Então, eu resolvi inventar...”. Foi daí que o José se tornou o Mestre Cunha. Ainda segundo o artista, no começo ninguém queria comprar suas obras porque era um trabalho diferente, estranho aos olhos de muitos; só colecionadores se interessavam. “... O povo pensa que o que faço é brinquedo, mas é para decorar...”. Hoje as obras do Mestre Cunha são muito disputadas em feiras e exposições e sua notoriedade atravessou as fronteiras do seu estado natal.

Mestre Cunha, título desconhecido, madeira policromada. Reprodução fotográfica Galeria Pontes, São Paulo, SP.

Mestre Cunha, Piatuz, madeira policromada. FOTO: Francisco Moreira da Costa.

Não é à toa que é Mestre Cunha é considerado o “artista dos sonhos”. Segundo ele, a inspiração para as suas criações vem na maioria das vezes de sonhos. “... Sonho com muitos desses seres e, então, faço as esculturas. Já que as peças são únicas, tenho a necessidade de colocar nome em cada uma delas. Para isso, procuro palavras no dicionário ou no Google. Escolho as que mais gosto. Às vezes, elas vêm à mente e chego até a procurá-las na internet para ver se têm algum significado, mas normalmente não possuem, não [...]. Parampalho. Veio na cabeça do nada, mas não tem significado algum. É a peça mais comprada. É um bicho grande, branco, com pescoço alto e asa pequenininha. Em cima dele, estão dois bonecos, um homem e uma mulher. Ela está de topless e ele está se masturbando”.

Mestre Cunha, título desconhecido, madeira policromada. Reprodução fotográfica autoria desconhecida.

Mestre Cunha, Chambrum, madeira policromada. Reprodução fotográfica autoria desconhecida.

Mestre Cunha, Ginringuaçu, madeira policromada. Reprodução fotográfica autoria desconhecida.

A obra de Mestre Cunha alcançou ao longo dos anos um merecido destaque no mundo da arte popular brasileira. Participou de diversas exposições coletivas e individuais e tem obras em diversas coleções particulares do Brasil e de outros países. Tem obras em exposição permanente no Museu do Homem do Nordeste do Recife. Atualmente reside e trabalha em Jaboatão dos Guararapes, região metropolitana do Recife.


Mestre Cunha, título desconhecido, madeira policromada. Reprodução fotográfica autoria desconhecida.

Mestre Cunha com uma de suas invenções "Meu Primo". Reprodução fotográfica autoria desconhecida.

Mestre Cunha, Ararão, madeira policromada. Reprodução fotográfica autoria desconhecida.

Mestre Cunha, Malibu, madeira policromada. Reprodução fotográfica autoria desconhecida.

Mestre Cunha, Bayjok, madeira policromada. FOTO: Francisco Moreira da Costa.